Universidade Federal Rural da Amazônia

Pesquisar

Caminho de navegação

Portal da Ufra Graduação Engenharia Ambiental
Graduação em Engenharia Ambiental
Graduação em Engenharia Ambiental PDF Imprimir E-mail
Sex, 02 de Outubro de 2009 16:17

 

 

 

Download Projeto Pedagógico [PDF]

 

Caros alunos,

é com enorme prazer que lhes apresentamos o curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal Rural da Amazônia.

 

I. INTRODUÇÃO

A região amazônica, em face de sua excepcional diversidade, apresenta uma enorme variedade de tipos de problemas os quais requerem atenção especial por parte, principalmente, da Universidade. Tais problemas constituem uma preocupação do ponto de vista da ocupação da região e, portanto, das novas perspectivas de seu desenvolvimento. Ainda que este desenvolvimento esteja vinculado às mudanças ambientais, é possível tomar medidas de preparação e de redução de seus efeitos à Natureza. Neste cenário de riscos, de desafios e incertezas, é relevante que se disponha de metodologia e tecnologia específica capaz de estimular um desenvolvimento sustentável, responsável e limpo.

Com sua diversidade e especificidade única, os estudos voltados para a região amazônica indicam caracterizações diferenciadas em muitos aspectos. Em seus 5,5 milhões de Km2, ocupa 65% do território nacional e mais de 90% das florestas tropicais do país, além de ter 26% das florestas tropicais do Planeta – é um dos maiores sistemas de biodiversidade do mundo[1]. De um modo geral, 83% da floresta da Amazônia brasileira ainda estão intactas e alguns avanços foram registrados, especialmente, com a demarcação das terras indígenas, a criação de reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável, além dos parques e outras unidades de proteção[2]. Contudo, especificamente no Pará, não se pode dizer o mesmo, com relação às políticas públicas, e, principalmente, quando se trata das florestas públicas de produção.

Quando se trata da superfície amazônica – além da criação de gado de maneira não inteligente – verifica-se de imediato que a maior parte dos solos da Amazônia pode permanecer saturada ou inundada por períodos que podem variar de alguns dias a alguns meses. Isto se deve as inundações sazonais decorrentes da elevação do nível das águas durante o período de cheia dos rios, de elevadas precipitações fluviais ou de a elevação do nível do lençol freático e, como resultado, tem-se alterações químicas, físicas e biológicas. Não existem estudos sobre a caracterização elétrica, por exemplo, destes solos, embora as suas potencialidades energéticas estejam em plena atividade de planejamento – sabe-se que esse problema atinge as linhas de transmissões e causam danos. Portanto, um estudo adequado deste solo, por uma ação conjunta da pesquisa básica e da pesquisa aplicada, é necessário nos processos de tomadas de decisões no planejamento regional, evitando, portanto, generalizações e passar a considerar as especificidades locais da região. De uma forma geral, a região amazônica, devido a sua extensão, é composta por um intrincado mosaico de ambientes, definido não só pela heterogeneidade dos seus ecossistemas, mas também pelo processo de ocupação e pouco desenvolvimento.

Os dados preliminares do Balanço Energético Nacional[3] mostram um potencial hidroelétrico avaliado em 130.000 MW, representando mais 50% de todo o potencial brasileiro e com 69% de seu potencial ainda não aproveitado – menos de 10% de toda sua geração de energia fica na Amazônia. Vale ressaltar que a Amazônia sozinha detém 6% do potencial hidroelétrico mundial, além de ser a maior fonte de energia renovável de todo o Planeta. Com relação aos investimentos realizados no setor elétrico brasileiro, há uma lacuna de mais de dez anos nos investimentos feitos na Amazônia – isso é um fator de exclusão social muito grave. Vale dizer que, o planejamento, a gestão, as decisões ou mesmo um simples projeto de estudos sobre os impactos de uma Hidroelétrica, não fazem parte das Universidades da região Norte, por não estar à frente destas questões, em termos de conhecimentos sobre o assunto[4].

As concentrações residuais de óxidos de manganês, descobertas na serra do Navio – estado do Amapá – na década de 1940, deram origem à primeira atividade de mineração da Amazônia. Atualmente as jazidas de ferro de Carajás, com seus 18 bilhões de toneladas de minério, correspondem à maior concentração de alto teor localizada já conhecida até hoje. Com relação a outras fontes minerais, tem-se ainda o ouro na região de Carajás e que na década de 80 se alastrou em uma grande “corrida do ouro”, ultrapassando as fronteiras da Amazônia brasileira e envolvendo quase um milhão de garimpeiros[5]. A explosão dessa atividade garimpeira foi motivada por vários fatores, destacando-se o agravamento da miséria de boa parte da população brasileira, principalmente a rural e nordestina, decorrente da falta de uma solução adequada para a questão agrária e de má distribuição de renda. Associado a isto, tem-se ainda as explorações em grandes proporções de alumínio, cobre zinco, níquel, cromo, titânio, fosfato, prata, platina, paládio, ródio, estanho, tungstênio, nióbio, tântalo, zircônio, terras-raras, urânio e diamante. Quase todo esse extrativismo é para exportação e pouca coisa foi investida na educação dessa região.

Entende-se, portanto, a necessidade da Universidade estar na frente destes problemas e ser um ambiente de discussões de idéias transformadoras. Deve saber avaliar os efeitos de metodologias e técnicas recortadas de outras regiões e empurradas na Amazônia. Considera-se, assim, imperativo desenvolver práticas adequadas, através da interdisciplinaridade de conhecimentos, para a formação de profissionais que sejam capazes de atender demandas específicas e, principalmente, as do setor das Engenharias. A Universidade tem o dever de garantir competências para saber atuar de maneira integrada nos diversos tipos de problemas da indústria de impacto e da sociedade em sua interação com o meio ambiente. Além disto, deve propor e criar habilidades para saber responder com ações específicas a fim de prever, gerir e apresentar soluções, servindo-se de seus conhecimentos.

Em contribuição para esta visão de mundo é que a Universidade Federal Rural da Amazônia apresenta neste documento o Projeto Pedagógico do curso de graduação em Engenharia Ambiental. Para isto, o seu desenvolvimento curricular é integrado por conteúdos organizados com objetivo interdisciplinar, no qual a metodologia apresentada foi elaborada de tal maneira que procura abordar a capacidade de análise e de poder crítico em diversas situações de seu processo de ensino/aprendizagem. Partido desta visão, a qual o significado de fazer algo novo não apenas por ser novo, mas devido ao progresso da ciência e da tecnologia, alcançado ao longo do último século. Procurou-se, portanto, afastar o sistema educacional universitário tradicional e apresentar uma proposta holística o mais longe possível do tecnicismo – os quais não cabem mais no mundo atual. Fundamentado em propostas inovadoras é que se pretende formar cidadãos capazes de interagir e propagar conhecimentos para viver em um ambiente extremamente complexo – a Amazônia.

II. SÍNTESE DA PROPOSTA

O curso de graduação em Engenharia Ambiental oferecido pela UFRA congrega parte de cada um dos seus Institutos: o Instituto Ciberespacial (ICIBE); o Instituto Sócio Ambiental e Recursos Hídricos (ISARH); o Instituto de Ciências Agrárias (ICA); e, o Instituto da Saúde e Produção Animal (ISPA). Somente com esta integração é possível por em prática uma nova metodologia e filosofia de ensino[6-7], a qual se encontra em conformidade com as diretrizes propostas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para os cursos de Engenharia.

Entende-se que tratar das demandas atuais desta região é um desafio e, por isto, torna-se necessário formar profissionais, antes de tudo, conscientes e preparados para serem generalistas, com sólida base de competências nas diferentes áreas da ciência. Além do que, deve ser incentivado o despertar pelo interesse à pesquisa, conduzindo-os a ser capazes de introduzir/desenvolver novos processos e produtos, localizando/solucionando problemas nas diversas áreas da tecnologia moderna dentro de um contexto holístico. Ou seja, formar profissionais aptos a prever e solucionar problemas que possam gerar impactos negativos ao meio ambiente e a sociedade de uma forma geral, fundamentado em conhecimentos da Física, Matemática, Computação, Química, Geologia, Biologia, Economia, Administração nas demais áreas da ciência. A busca desta interdisciplinaridade, como sentido maior é, portanto, um fator diferencial deste curso de Engenharia Ambiental.

III. OBJETIVO GERAL

Antes de tudo, considera-se que não tem como falar em Engenharia Ambiental na Amazônia sem conhecer sobre suas potencialidades e as indústrias instaladas, suas políticas e o descompromisso, suas populações e economias locais, ou seja, as inter-relações das atividades de impacto com o meio ambiente. Para entender este processo, existe uma sinalização clara da nova era no cotidiano nos diferentes campos do conhecimento e os quais conduzem ao saber interdisciplinar. As barreiras que freiam o avanço da academia têm caído uma após a outra, apesar de ainda prevalecerem atitudes da idade média ao apego à fragmentação de saberes, como se fossem propriedades privadas. Neste desafio, o objetivo deste curso é apresentar estudos de Engenharia na esperança de formar cidadãos para construir uma Amazônia socialmente mais justa, ambientalmente mais saudável e economicamente tão exuberante quanto suas florestas.

IV. PROFISSIONAL E SUA REALIDADE ATUAL

Quanto às suas perspectivas profissionais e possibilidade de atuação, o mercado de trabalho para o Engenheiro Ambiental é constituído por empresas públicas ou privadas, órgãos governamentais nas três esferas de governo, além de organizações sociais de interesse público e ONGs.

O profissional terá competência para atuar em todos os organismos públicos, privados e não-governamentais que compõem o Sistema Nacional de Meio Ambiente e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Entre estas opções destacam-se: IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, Ministério das Cidades, Ministério Público, entre outros. Há, também, necessidade crescente de profissionais para os Comitês de Bacia, na medida em que a gestão de recursos hídricos, por força legal, utilizará a bacia hidrográfica como unidade básica de gestão e, dentro deste contexto a questão ambiental tem grande destaque.

Assim, entende-se que o Engenheiro Ambiental encontrará excelente mercado de trabalho junto a esses órgãos e companhias, dados sua capacitação técnica específica. Estando ainda habilitado para participação em projetos de empresas de consultoria que elaboram planos de uso do solo, rios ou florestas, em estudos de impactos no ambiente, laudos técnicos e projetos específicos na área ambiental. Estas possibilidades constituem seguramente um dos principais mercados de trabalho para este profissional. Mas, de maneira bastante evidenciada pela proposta deste curso, destacam-se todos os setores em que se aplicam a robótica industrial e ambiental.

V. PRINCÍPIOS NORTEADORES

Segundo o Professor Manoel Malheiros Tourinho, membro titular da Academia Paraense de Ciências, “a Engenharia não é uma ciência, mas a combinação de várias técnicas e tecnologias, todas, até o presente, marcadas pela moldura mecanicista-reducionista de Newton”. Em reforço a esse pensamento, de modo inquestionável, sempre que uma nova aplicação da Física e da Matemática fica determinada pelas condições de contorno estabelecidas no sistema que será analisado, surge um novo curso de Engenharia. Ademais, no decorrer dos últimos anos e, principalmente, com o avanço computacional surgiram diversas especialidades nas quais os mesmos conceitos destas ciências são utilizados, apenas para solucionar problemas específicos. Esta tendência cada vez maior de particularizar saberes na criação de novos cursos de mesmo perfil é o que se define como fragmentação do conhecimento.

Pensando na possibilidade de fazer o caminho inverso, devido à evolução do saber em todas as esferas, encontra-se à necessidade de uma reformulação na filosofia do ensino das Engenharias[8]. Note-se que, aquilo que esta sendo questionado não é o mosaico das diretrizes impostas pelo órgão maior de gestão, o MEC – também questionável –, mas a moldura escolástica da filosofia das Universidades. Destarte, tudo o que tem sido mostrado, não passa nem perto de ser alternativa de mudança, ainda mais, na formação de pessoas para tratar de assuntos de ampla complexidade, como é o caso da Amazônia – não é a toa que este lugar avança na direção de um caso crítico de devastação.

Observe-se o novo vocabulário usado na Educação, este inclui palavras relacionadas a conceitos educacionais como: contextualização, interdisciplinaridade, competências e habilidades. Sobre muitas destas é fácil falar, mas difícil fazer, pois não se trata destes temas sem encontrar outras opções de ensino/aprendizagem, modificação de hábitos e rompimento com rotinas. Além do mais, é necessária a quebra de valores e esta nova postura, todavia, mostra-se sem a certeza nem a segurança das vantagens e desvantagens dos esforços a serem desenvolvidos.

Entende-se que ponta final de qualquer reformulação de novas diretrizes ligadas com a questão de ensino/aprendizagem é o estudante. É ao aluno a quem cabe oferecer opções de escolha sobre seu futuro acadêmico ou gestor. Somente em casos nos quais se possa promover uma ampla base de sustentação filosófica, histórica e conceitual para saber atuar e viver solidariamente em um mundo tecnológico, complexo e em transformação é possível poder optar entre as diversas profissões tradicionais – este direito é o que se chamará de cidadania em ciências. Consequêntemente, após cumprir metas, ou seja, ter competências, poderá então decidir com clareza o que escolher na Engenharia, entre as suas habilidades, referindo-se ao “saber” para optar sobre o que prefere “saber fazer”.

Este PPC descreve os rumos da Engenharia na UFRA e sua metodologia. Também, neste documento, é apresentado um modelo de estudo sobre os aspectos científicos e tecnológicos entrelaçados com a sustentabilidade da Amazônia.

É, então, sugerido que a proposição das habilitações apareça a partir da contextualização de cidadania em ciências para o desenvolvimento sustentável. Com esta outra prática, as diretrizes das Engenharias podem ser atendidas de maneira não única, mas dentro de um processo de intenso trabalho coletivo. Procura-se, com isto, apresentar um modelo de formação profissional cujo indivíduo, assim especializado, tenha preparo ativo e critico ao interferir numa região frágil a impactos tecnológicos, mas com um potencial econômico sustentável magnífico. Para atingir este objetivo, esta proposta está fundamentada na literatura atual sobre educação em Engenharia[9-11], nas experiências de seus profissionais e na confiança depositada por seus alunos.

 

VI. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

Esta Seção irá descrever a organização da estrutura curricular deste Projeto Pedagógico. O curso de graduação com modalidade em Engenharia Ambiental, proposto neste PPC, será, a partir de sua implantação, um diferencial desta Universidade. Sua área de atribuições cabe nas Engenharias e tem a finalidade de servir de apoio aos cursos das Ciências Agrárias e das Ciências Exatas e da Terra já existentes na UFRA. Seguindo, portanto, todas as diretrizes exigidas interna e externamente a Instituição.

Nesta elaboração, procurou-se enfatizar a flexibilidade na sua organização, de tal modo que permitirá contínua observação e correções de rumo, para a identificação e modificação de possíveis erros na qualidade da formação almejada do alunado futuros egressos. Convém salientar que nesta proposição, apenas uma especialidade em Engenharia está sendo disponibilizada, em sua primeira versão, embora um “leque de opções” com outras especialidades possa ser perfeitamente ajustado a este desenho. Entretanto, devido a esta única opção, no caso a especialidade em Engenharia Ambiental, as recomendações dos CNE/CES são atendidas apenas buscando interfaces com os outros cursos oferecidos nesta Universidade – correlatos às outras áreas.

 

VI - 1. DETERMINAÇÕES DO CNE/CES

A criação deste curso tem como base as Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em Engenharia do Conselho Nacional de Educação – CNE e aprovado na Câmara de Educação Superior - CES, nas quais constam: o Parecer n.º 1.362, de 12/12/2001; a Resolução nº 11, de 11/03/2002, que define o Projeto Curricular como a formalização do currículo de determinado curso pela instituição em um dado momento e contextualizado com a realidade de cada região; e, a Resolução nº 2, de 18/06/2007, com fulcro no Parecer CNE/CES nº 8/2007, o qual dispõe sobre cursos de graduação de carga horária mínima entre 3.600 e 4.000 horas, com limite mínimo de integralização de cinco anos – complemento regulamentador de carga horária, relativo ao parecer de 2001 – e procedimentos relativos, na modalidade presencial.

Com relação à resolução do CNE/CES de 2002, todo o curso de Engenharia, independente de sua modalidade, deve possuir em seu currículo três núcleos de conteúdos, um estágio supervisionado obrigatório e um trabalho final de curso como uma das atividades de síntese e integração de conhecimento.

1. O núcleo de conteúdos básicos deve conter cerca de 30% da carga horária (CH) mínima e versa sobre um conjunto de disciplinas com enfoques e intensividade compatíveis com a modalidade pleiteada;

2. O núcleo de conteúdos profissionalizantes deve conter em torno de 15% CH mínima e versa sobre um subconjunto coerente de tópicos, a ser definido pela Instituição de Ensino Superior (IES) voltado para sua realidade;

3. O núcleo de conteúdos específicos e outros conteúdos visa extensões e aprofundamentos do núcleo de conteúdos profissionalizantes, os quais são destinados a caracterizar modalidades. Estes conteúdos não deverão exceder 20% CH incluídos no cálculo da carga horária total do curso. Consideram-se, portanto, os conhecimentos necessários para a definição das modalidades de Engenharia e devem garantir o desenvolvimento das competências e habilidades. Entre estas atividades complementares estão: a iniciação científica e tecnológica, programas acadêmicos amplos, a exemplo do Programa de Treinamento Especial da CAPES (PET), programas de extensão universitária, visitas técnicas, eventos científicos, além de atividades culturais, políticas e sociais, dentre outras, desenvolvidas pelos alunos durante o curso de graduação.

Em fim, estas atividades curriculares visam ampliar os horizontes de uma formação profissional, proporcionando formação sociocultural mais abrangente. Ressalta-se ainda, nesta resolução, o destaque à redução do tempo em sala de aula, favorecendo o trabalho individual e em grupo dos estudantes (as horas de estudos em casa não são integralizadas na carga horária do curso). De acordo com estas determinações, na Figura 1 é ilustrado o mapa da estruturação das diretrizes curriculares para os cursos de Engenharia.

 

(Área de formação básica pelas competências adquiridas)

FIGURA 1 – Estrutura curricular para as Engenharias (CNE/CES).

 

VI - 2. CIDADANIA EM CIÊNCIAS

Nesta Seção será feita a descrição da estrutura curricular do curso de Engenharia Ambiental, além de apresentar sua organização nas quais se baseiam as recomendações do CNE/CES. Diante das necessidades destas adequações à área de Engenharia, as quais são regulamentadas pelo sistema CONFEA/CREA, a estrutura curricular da Engenharia Ambiental será elaborada em dois ciclos de especialidades, conforme mostrado na Tabela I.

TABELA I – ESTRUTURAÇÃO CURRICULAR DA ENGENHARIA AMBIENTAL.

Neste modelo, aquilo que está sendo chamado de “ciclo de formação básica de competências”, é a estrutura de um curso de Bacharelado em Ciências Ambientais, ainda não formalizado pela UFRA, como será visto mais adiante. Aqui, faz-se referência à Cidadania em Ciências (CICI), conforme já discutido e que é apenas uma questão de bom senso partir para sua implementação, pois sua organização estrutural está em plena conformidade com todas as determinações do CNE/CES. Assim, o mapa conceitual da Estrutura Curricular deste Projeto Pedagógico é ilustrado na Figura 2:

FIGURA 2 – Estrutura curricular do PPC.

VI - 2.1. Núcleo de conteúdos básicos – CNE/CES

As disciplinas de CICI que representam o núcleo de conteúdos básicos são apresentadas na Tabela II, a seguir:

 

TABELA II – NÚCLEO DE CONTEÚDOS BÁSICOS RECOMENDADOS PELO CNE/CES.


Este grupo de disciplinas são conteúdos básicos de conhecimentos, selecionados para integrar as recomendações do CNE/CES, portanto, com carga horária de 1.122 horas correspondentes aos 30% CH exigidos.

VI - 2.2. Núcleo de desenvolvimento de competências – CEPP

Segundo o CNE/CES, um projeto pedagógico de curso é prerrogativa e responsabilidade de cada Instituição de Ensino e constitui o meio essencial pelo qual deve ser alcançado o perfil de formação dos seus egressos. Com a finalidade de se estabelecer, preliminarmente, o conjunto de disciplinas capazes de oferecer sustentação à área das Engenharias, no caso a Engenharia Ambiental, foi criada uma Comissão de Elaboração do Projeto Pedagógico – CEPP. Esta comissão, com bases em diretrizes gerais e após exaustivas reuniões, debates e reflexões, definiram o conjunto de disciplinas de competências (Tabela III) em diferentes áreas da ciência e adequadas ao estudo de Engenharia na Amazônia.

TABELA III – DISCIPLINAS RECOMENDADAS PELO CEPP.


As disciplinas das Tabelas II e III correspondem à carga horária de 2.210 horas e integram o conjunto de disciplinas de CICI, para completar três anos em formação de competências de conhecimentos da base da Engenharia na UFRA. Note-se que a partir deste modelo (base CICI) a implantação de novos cursos irá dispor de estrutura curricular comum. Por outro lado, tanto o conjunto de disciplinas das determinações do CNE/CES, quanto às disciplinas recomendadas, pela CEPP, são flexíveis para modificações a serem feitas pelos futuros colegiados e, por sugestão, continuamente atualizados com a inclusão, exclusão ou fusão de disciplinas. Estas revisões e atualizações devem acontecer pela necessidade de aprimoramento do curso.

VI - 3. HABILITAÇÃO EM ENGENHARIA AMBIENTAL

Considerando às 2.210 horas da CICI (em torno de 61% CH), apresentadas nas Tabelas II e III, para atender o mínimo de 3.604 horas (usando valor múltiplo de 17, adotado neste PPC) na formação de engenheiros, conforme a determinação do CNE/CES, o aluno terá que cumprir atividades correspondentes a um adicional mínimo de 1.394 horas. Esta carga horária será, portanto, usada para atender ao núcleo de conteúdos profissionalizantes (exigidos no mínimo de 15% CH) e o núcleo de conteúdos específicos e outros conteúdos (exigidos no máximo de 20% CH).

VI - 3.1. Núcleo de conteúdos profissionalizantes

TABELA IV – DISCIPLINAS DA ENGENHARIA AMBIENTAL.

As disciplinas que integram o núcleo de conteúdos profissionalizantes são ofertadas aos alunos no 2º Ciclo – nos dois anos finais. Este conjunto de disciplinas cumpre a ênfase de habilitações em Engenharia Ambiental e, na Tabela IV, são apresentadas aquelas que foram indicadas pela CEPP, correspondente a carga horária de 969 horas (em torno de 27% CH). Note-se que para se chegar às 3.604 horas restam ainda 425 horas (em torno de 12% CH) e as quais, serão cumpridas, em parte, pelo núcleo de conteúdos específicos.

No que se refere aos outros conteúdos que possam aprimorar o perfil humanístico e de cidadania do profissional a ser formado pela UFRA, são ofertadas um elenco de disciplinas complementares eletivas/optativas (ver Seção 6) que ficam disponíveis aos estudantes sob orientação dos professores da UFRA. O elenco de disciplinas complementares oferecido terá a finalidade de complementar, aprofundar ou atualizar conhecimentos referentes às áreas de atuação profissional (Resolução 1.010/05 CONFEA/CREA). Com este propósito, as disciplinas complementares eletivas/optativas (referentes aos outros conteúdos indicados pelo CNE/CES) integram a parte flexível do currículo e a inserção de novas disciplinas, neste conjunto, pode ser feita assim que for necessário. A efetivação de matrícula em uma destas disciplinas poderá ser feita a partir do 1° semestre.

As disciplinas cursadas como eletivas serão limitadas em 102 horas e devem ser obrigatórias. Todavia, depois que esta carga horária for cumprida, o aluno terá a liberdade de escolher, qualquer outra disciplina ofertada, dentro do elenco de disciplinas eletivas/optativas, mas cursada apenas como optativa. A quantidade de disciplinas eletivas/optativas que um aluno poderá cursar durante o semestre fica aos critérios de decisões do colegiado do curso.

VI - 3.2. Núcleo de conteúdos específicos e outros conteúdos

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação de Engenharia (CNE/CES/2002), este PPC estabelece o núcleo de conteúdos específicos como atividades formais que ficam distribuídas em todos os períodos do curso. Consideram-se, portanto, os estágios obrigatórios ou não e o trabalho de conclusão de curso, como atividades de síntese e integração de conhecimentos; e, as atividades complementares de estímulo. De uma forma geral, são, conhecimentos específicos das atividades curriculares, efetivados, em parte, dentro da livre escolha do aluno, sendo algumas vezes apenas visualizado e, em outras, acompanhado por um orientador ou um grupo de professores vinculados ao curso.

As atividades complementares de estímulos podem ser cumpridas, como (Tabela V) entre ou em disciplinas (eletivas/optativas), integrantes da estrutura curricular dos outros cursos da UFRA. Estas atividades são planejadas para atender os objetivos de aprimoramento da formação profissional dos alunos ou de incremento de interdisciplinaridade na sua preparação acadêmica.

Na Tabela IV são mostradas 425 horas, com suas respectivas atividades, que somadas às horas das Tabelas II e III totalizam o mínimo de horas determinadas pelo CNE/CES de 2002 para as Engenharias.

TABELA IV – ATIVIDADES DE SÍNTESE E INTEGRAÇÃO DE CONHECIMENTOS.

Observe-se, que se for levado em conta o máximo de 4.000 horas, conforme estabelece o CNE/CES de 2002, para as Engenharias, ainda restam 391 horas – depois de somadas às CH das Tabelas II, III e IV – disponíveis para totalizar 3.995 horas. Ressalta-se que o fato de levar em conta este teto máximo de horas, deve-se à necessidade de aprofundar conhecimentos em assuntos extremamente complexos, como é o caso da elaboração de um estudo de Engenharia para tratar com problemas decorrentes da má utilização dos recursos da Amazônia. Pensando desta maneira, sem exceder os 20% CH do núcleo de atividades específicas e outros conteúdos, estas horas serão atribuídas às atividades complementares de estímulo e às disciplinas eletivas, conforme mostrado na Tabela V.

TABELA V – ATIVIDADES COMPLEMENTARES.


Como sugestão, o planejamento, acompanhamento e validação das atividades curriculares complementares devem ser feitos pelo corpo docente integrante das disciplinas ministradas no semestre letivo de sua realização. E, de tal maneira, que não estabeleça antagonismo nos procedimentos de outras ações curriculares, principalmente devido à carga horária de trabalho excessiva. Considera-se que a validação destas atividades seja feita a partir de avaliações presenciais ou análise de documentos comprobatórios, sob a supervisão de um professor orientador.

Considera-se ainda que, as atividades curriculares complementares de estímulo sejam condicionadas aos alunos em modalidade obrigatória e sob a condição de que a contagem parcial de carga horária de atividades/semestre se inicie desde o primeiro semestre, visando integração de conhecimentos. Podendo o aluno obter integralização destas atividades complementares em qualquer período, desde que cumpra a carga horária mínima estabelecida para as atividades regulares do curso.

VI - 3.3. Execução dos eixos temáticos e das disciplinas

São observados no cotidiano acadêmico, diversos avanços em todas as áreas do conhecimento e que apontam para o trabalho interdisciplinar. Com esta perspectiva, a metodologia de eixos temáticos, entre as disciplinas deste curso de Engenharia, têm a finalidade de permitir concretizar parte desta proposta. Pelos menos, agilidade na organização dos assuntos, buscando a problematização e a lógica dos seus conteúdos. Sabe-se que se está tratando de um processo metodológico complexo e para seguir nesta linha de pensamento, a aprendizagem não deve ocorrer apenas na sala de aula. Igualmente, o processo ensino/aprendizagem precisa ser organizado segundo finalidades, objetivos e atividades aprimoradoras da construção/reconstrução do conhecimento e da incessante busca de novas maneiras de aplicá-lo.

A elaboração dos eixos temáticos do curso, conforme será mostrado na matriz curricular, apresentada na Seção 6, é uma proposta feita pela CEPP. Nesta proposta, de eixos temáticos, a finalidade é agrupar conteúdos, os quais podem ser tratados em conjunto e sempre buscando afinidades entre si. O objetivo dos eixos temáticos é dar uma visão mais ampla aos alunos de como conteúdos diferentes podem se complementar e interagir, isso proporciona careza sobre a importância de cada conteúdo estudado. Os oito eixos escolhidos pela CEPP são:

 

  • Formação em Engenharia.
  • Ciências Ambientais.
  • Adequação ao Ensino Superior.
  • Agroecossistemas e Desenvolvimento Sustentável.
  • Tecnologia Industrial e Meio Ambiente.
  • Qualidade Ambiental.
  • Gestão Ambiental.
  • Análise, Modelagens e Avaliações Ambientais.

 

Os conteúdos dos eixos temáticos podem funcionar de maneira modular ou paralela. Na forma modular, um conteúdo deve ser esgotado para poder iniciar outro, já na forma paralela os conteúdos são vistos simultaneamente. Existe ainda a opção de abordagem mista, durante um determinado período letivo, ou seja, alguns eixos em paralelo e outros conteúdos como módulos. Sem imposição de regras fixadas, o critério de decisão para ações de trabalho deste tipo deverá ser planejado para cada semestre pelo corpo docente das disciplinas.

VI - 4. CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS

Com duração de cinco anos, o curso funcionará em regime semestral, diurno, iniciando a primeira turma em 2010, com entrada anual de 50 alunos por processo seletivo vestibular – aumentando, nos próximos anos, para 60 alunos. Procurou-se atender, na medida do possível, a todos os aspectos do modelo pedagógico implantado na atualização curricular da UFRA e, ainda, estar de acordo com as determinações definidas pelo CNE/CES, através de suas resoluções para a área das Engenharias.

VI - 4.1. Carga horária total

Para este curso, a carga horária é organizada em 17 semanas de aulas por semestre. Em cumprimento as determinações do CNE/CES, com relação às atividades de sala de aula, a média de aulas semanais é em torno de 20 aulas por semana durante o curso, significando uma média de 4 aulas por dia. Isto implica em um tempo razoavelmente curto em sala de aula, prevalecendo às atividades extraclasses. Levando-se em conta cada ciclo de desenvolvimento da matriz curricular e suas atividades de complemento, a carga horária total, é mostrada na Tabela VI.

TABELA VI – CARGA HORÁRIA CURRICULAR.

VI - 4.2. Estágio

As atividades de estágio previstas para o curso somam-se em um total de 323 horas. Estas atividades de síntese e integração de conhecimentos são realizadas em três etapas: dois estágios de campo e um estágio supervisionado articulado com a proposta de ingressar no mercado de trabalho. Os estágios de campo, com enfoque rural e urbano, deverão contribuir para a formação do estudante na prática dos conhecimentos adquiridos. Em todos os casos, estas atividades foram mantidas antes do último período, pois se entende que o aluno deve trazer esta experiência de volta para a Universidade, de maneira a compartilhar conhecimentos.

VI - 4.3. EAD

Outra consideração que deve ser ainda observada – baseada no Parecer n° 261 da CNE/CES, de 11/11/2006 – trata dos procedimentos a serem adotados quanto ao conceito de hora-aula e dá outras providências. Em seu artigo terceiro, o parecer estabelece: Art. 3º A carga horária mínima dos cursos superiores é mensurada em horas (60 minutos), de atividades acadêmicas e de trabalho discente efetivo. As Instituições que adotam hora-aula de 50 minutos na implementação de suas atividades pedagógicas, para o cálculo da carga horária total do seu curso, para cada aula dada computará 50 minutos e não uma hora.

Esta proposta considera aulas de 60 minutos em termos de contabilizar 3.995 horas para a sua integralização. Pensando na qualidade das aulas, além de serem integralizadas com base no Art. 3, citado anteriormente, os alunos contarão também com o uso de um ambiente virtual de aprendizagem como apoio às aulas presenciais. Através de acesso por Internet, terá a possibilidade de receber materiais complementares de seus professores, realizarem fóruns de discussão sobre assuntos relacionados às disciplinas, interagir com a turma e com o professor, de modo, extramuros, ou seja, ampliar as fronteiras da sala de aula, mas sem perder o foco central nas aulas presenciais, já que esta é a modalidade adotada para este PPC. A utilização do ambiente virtual de aprendizagem, além de trazer recursos que ampliam as possibilidades educacionais, ainda promove a formação de alunos e professores no uso de recursos da educação à distância. Portanto, preparando-os para uma adequação que será feita após o reconhecimento do curso, com base na Portaria Ministerial nº 4.059, de 10/12/2004, na qual até 20% da carga horária do curso será oferecida na modalidade à distância.

VI - 4.4. Recortes Ortodoxos

Tendo muito ainda por se fazer, algumas disciplinas tradicionais das Engenharias “fechadas” foram reorganizadas, inclusive o nome, com o intuito de oferecer melhor compreensão ao seu conteúdo e manter o objetivo das aplicações focadas pelo curso. Em alguns casos, esta nova denominação contrasta com o nome das disciplinas clássicas dos cursos de Física e de Matemática, por exemplo, trazidos para a Engenharia por simples compilação e que, em geral, atribuem-se nomes adotados em outros países, sem levar em conta vários aspectos relativos à realidade de cada especialidade e suas diversas inter-relações. Esta reorganização é uma preparação para o curso não evoluir sobre os recortes ortodoxos – que ainda persistem –, outrossim, incentivar a releitura destas facetas para versões revisadas e atualizadas ao Século XXI.

Este desenvolvimento sistemático nome/conteúdo permite que haja condução às necessidades de cada momento do curso. Significando a relação entre o reforço aos fundamentos básicos com os objetivos e aplicações as quais se propõem – indo do difícil para o fácil se evita assuntos desnecessários –, ou seja, a denominação da disciplina tem relação com a sua proposta metodológica.

Em outras situações, como é o caso da disciplina Sistemas Ciberfísicos, fez-se a fusão de disciplinas – Banco de Dados, OAC, Redes e Sistemas de Aquisição, em geral, tratadas independentemente –, gerando esta nova ação metodológica, cuja aplicação, como exemplo, está embarcada em qualquer aparelho de telefone celular. Também, em muitos casos a disciplina permaneceu com o seu nome e a sua metodologia tradicional.

VI - 4.5. Foco de atuação do curso

Com relação às questões Ambientais, ainda que haja um esforço sendo feito por parte das IES existentes na Amazônia, faltam temas, em termos destes estudos na área de Engenharia Ambiental. Um exemplo disto é o estudo da eletrônica aplicada ao monitoramento ambiental. Note-se que esta área está associada à computação e já faz parte de todos os processos da indústria e de quase tudo no cotidiano das pessoas – menos nas Universidades brasileiras. Suas utilizações envolvem a metalurgia na indústria de minérios, sistemas de geração e transmissão de energia, máquinas do setor agrícola, controle de sistemas críticos, tais como, o monitoramento de rios, barragens e florestas, ou seja, desde os sistemas termodinâmicos até as aplicações na Medicina. De fato, observa-se que este foco de questões ligadas com a indústria de impactos ambientais, que opera nesta região, está desprovido desta mão de obra qualificada. Olhando por estes aspectos, têm-se mais problemas para serem solucionados do que profissionais capazes de resolvê-los e, nos próximos cinco anos, mesmo que já se tivesse começado um planejamento, anterior a este, para os setores desta Engenharia, ainda faltará engenheiros preparados para mexer com esta qualificação.

VI - 4.6. Articulação de ensino e pesquisa

Embora ainda não formalizado, a Cidadania em Ciências – CICI é um Bacharelado. As características deste modelo, que está sendo proposto, permitem formar um profissional com conhecimentos sólidos para trabalhar a pesquisa avançada em qualquer subárea da Engenharia – além de permitir a criação de novos cursos de Graduação de Engenharia na UFRA, conforme já foi mencionado. Com duração de três anos, uma vez formalizado com regras estabelecidas, o estudante poderá ingressar no Mestrado após o cumprimento de suas atividades. A carga horária da CICI é de 2.210 horas de disciplinas de forte base de competências, conforme mostrado nas Tabelas II e III, e que somadas às atividades curriculares da Tabela V, cumprem todas as determinações do CNE/CES exigidos para um curso de Bacharelado em Ciências Ambientais. A importância desta formalidade é, principalmente, a de se criar um Programa de Pós-graduação na área de Engenharia na UFRA. Além disto, um estudante que opte, em seu ingresso, para cursar a Engenharia, através da CICI, poderá ingressar no Doutorado – paralelamente aos alunos que ingressarem para o Bacharelado e o tiverem concluído –, logo após o término de suas atividades acadêmicas nesta estrutura curricular de Engenharia. Todos os esforços devem ser feitos no sentido de tornar esta prática metodológica um curso profissionalizante regulamentado.

VI - 4.7. Proposta de mobilidade e transversalidade acadêmica

A proposta deste curso de Engenharia da UFRA traz consigo um horizonte aberto para estabelecer convênios com outras Universidades Públicas. A formação em Cidadania em Ciências – CICI, na UFRA, é um estímulo à mobilidade dos estudantes nos dois sentidos, de dentro da Universidade Federal Rural da Amazônia para outra Universidade e de outras Universidades conveniadas para a Universidade FR da Amazônia. A exemplo da Universidade Federal do ABC, no primeiro caso, o fluxo deve ocorrer após a conclusão do ciclo básico de três anos. Restando somente dois anos para adquirir formação em Engenharia. Com uma formação básica forte o aluno da UFRA pode se dirigir a outra Universidade onde tiver oportunidade de seguir a opção que mais lhe atrai. No segundo caso, a UFRA, poderá admitir alunos de Universidades conveniadas, sem vestibular, no seu ciclo profissional. Por outro lado, para que este intercâmbio entre os estudantes de outras universidades aconteça, poderão ser criados mecanismos, tais como, Projetos e Acordos de Cooperação Técnica, para que se possa, a partir disto, assegurar uma política de transversalidade acadêmica. Da mesma forma que em outras Universidades já acontece, a UFRA deverá promover um forte intercâmbio com Universidades parceiras, compartilhantes desta política de ação. Nesta proposta de intercâmbio acadêmico, as disciplinas cursadas nas outras Universidades deverão ter os créditos aproveitados e vice-versa.

VI - 4.8. Universidade geradora de novas posturas

Todas as estratégias pedagógicas, apresentadas neste PPC, constituem-se no conjunto de atividades que garantirão a efetivação dos objetivos do curso, bem como o perfil desejado do egresso e o desenvolvimento das competências e habilidades esperadas. É com esta outra maneira de pensar que, todos os envolvidos com o curso de Engenharia Ambiental da UFRA, assumem nova postura na Universidade. Considera-se, também, que o seu papel não está voltado para responsabilidades empresariais ou governamentais, mas sim, para atender as demandas da sociedade como um todo. Assume, ainda, que deve, também, investir em conhecimento aplicado e no compromisso de responder a estas demandas para solucionar problemas desafiantes em relação ao cenário ambiental, econômico, social, cultural, espiritual (não proselitismo), etc. Esta inversão de valores, não considera mais que a Universidade pode ser encarada como uma divisão de desenvolvimento dos objetivos de qualquer modelo já rotulado, indústria ou governo. Terá, doravante, o compromisso de enxergar mais longe e, assim, promover a invenção e descobrir processos inovadores. Deverá mudar hábitos, costumes e criar novas posturas. Ser a fonte de propagação de novos paradigmas e pensamentos, até que seja suplantado por algo melhor, evoluído e, de fato, permita se modificar. Sem este compromisso, todo este esforço não terá valido a pena.

 

 

A Coordenação.

 


 
Joomla 1.5 Templates by Joomlashack